Arrá! Software livre! Bom demais…. O Trisquel GNU/Linux é uma distribuição espanhola, endossada pela Fundação do Software Livre e distribuída aos seus associados como um cartão USB bootável.
Após receber o meu simpático cartãozinho, instalei no meu netbook Acer aspire one. A instalação foi bem tranquila e relativamente rápida, considerando o gargalo de velocidade na gravação de dados na memória flash da maquininha.
Após instalado, o Trisquel dá um sistema rápido, bonito, atual, e – mais importante de tudo – livre!
Coloco aqui neste post o que eu fiz pra instalar o sistema a partir do cartão USB distribuído pela FSF. Depois uns macetes pra deixar a máquina redonda.
O Trisquel é baseado no Ubuntu. Foram removidos os pacotes não-livres, e o kernel é o linux-libre. Portanto quem tiver familiaridade com Debian/Ubuntu, vai se sentir em casa no Trisquel.
Mãos à obra:
OBS – Cuidado com os seus dados. Este tutorial assume que ou você a: já fez cópia extra de tudo que era importante na máquina; b: não tem sistema nem dado nenhum na máquina; c: não se importa. Vamos instalar sistema no computador, e isso obviamente vai apagar arquivos e/ou sistemas de arquivos. Não me culpe se você apagar o arquivo “tese.odt”, ou “financas.ods”, ou sei lá… o “senhas.txt”. Aliás, esse último nem deveria existir :p.
1 – Insira o cartão na USB da máquina e reinicie. Durante a tela do post, pressione F12 para alterar a ordem de boot, caso contrário ele boota o sistema padrão, se houver.
2 – Um menu será carregado. Escolha a opção “Instalar o Trisquel neste computador”.
3 – Escolha a linguagem. Padrão é inglês, mas o português do Brasil está disponível.
A instalação corre sem nenhuma surpresa, no hardware do A1. Você pode optar pelas opções que oferecem mais automatismos, se não quiser se deter muito, e não terá problemas. Quando chega a opção do particionamento de disco, eu costumo fazer tudo manual. No caso do meu AA1, quando comprei eu ganhei também um upgrade de memória na máquina. Ele vem de fábrica com 512MB. Na loja eu vi o técnico abrir a barriga dele e colocar mais um módulo de 1GB, ficando com 1,5GB. Dica: a menos que você saiba o que tá fazendo, não tente isso de maneira “exploratória”. É necessário desmontar bastante a máquina, porque o slot vago fica bem escondido. Ele NÃO é aquela porta na parte de baixo do chassi, protegida apenas por um parafuso tetra. É necessário desmontar teclado. Consiga um esquema e um tutorial antes de sair fazendo isso (ou melhor ainda, leve a máquina pra um profissional que faça).
Por isso, com 1,5GB, eu prefiro NÃO ter um swap na máquina. Ela só tem 8GB na memória flash de sistema, e um swap tomaria um precioso recurso. Além disso, a experiência tem mostrado que o maior gargalo do AA1 é a entrada e saída na memória flash. Então não quero ficar gravando coisas em swap e perder mais desempenho. Além disso, o free sempre mostra memória sobrando. Se você acha bizarro não ter swap, veja essa dica sobre isso.
Sobre particionamento, espaço em disco e desempenho no AA1, existe ainda uma outra técnica que pode ser usada: no slot marcado como “Storage expansion”, ao lado do teclado, na esquerda, pode-se inserir um cartão SD para ficar permanentemente lá, como memória da máquina. Durante a instalação de sistema – e isso vale não só para o Trisquel – você pode atribuir a este cartão alguma partição de sistema, que seja muito usada. Desta forma, a carga de trabalho fica dividida entre a memória embutida e a expansão de armazenamento.
No sistema original do AA1, o Linpus Linux (?) quando detecta que um cartão foi inserido, adiciona o novo espaço disponível ao espaço de armazenamento do usuário. Isso é interessante, mas não adianta como reforço de desempenho. Para melhorar o desempenho da máquina, se você optar por ter um cartão permanente no slot, sugiro colocar lá o /usr/bin e o /home. O /usr/bin é muito frequentemente acessado, e ter o /home em um cartão removível te permite simplesmente remover o cartão enquanto a máquina está desligada e montá-lo em outra máquina para fazer cópias de segurança. Fica muito prático.
Porém, lembre-se que, ao inserir o cartão em outra máquina, ele NÃO irá ser montado da maneira tradicional – pelo menos no kde4 – por conta dos sistemas de arquivos. Para isso ele teria que ser formatado com fat, o que não vai acontecer, já que será usado como armazenamento nativo do Trisquel do AA1, ou seja, você tem que escolher entre ext4, XFS, JFS, etc. Com estes sistemas de arquivo, você deverá acessá-lo como root, ao montá-lo em outra máquina, ou ter acesso somente leitura. Estou deixando isso registrado aqui, por completismo. Nada disso deve ser problema se você só fizer isso para copiar arquivos.
Na etapa de particionamento, se você quiser realmente criar um particionamento personalizado, o caminho é escolher o particionamento manual. Passada essa etapa, o instalador começa a copiar arquivos. De novo, isso é lento, é o gargalo de ter um sistema baseado em flash. Mas não se preocupe: sistema só se instala uma vez. Depois no dia a dia a máquina fica bem rapidinha.
Concluída a instalação, reinicie, remova o cartão da FSF para bootar na nova instalação. O Trisquel oferece o desktop do GNOME 2.30.2, com kernel linux-libre 2.6.32-25. O OpenOffice.org é o 3.2.0, da Oracle e o GIMP é o 2.6.8. Meu cartão chegou em fevereiro, e desde então já existe uma versão nova do Trisquel, a 4.5 Slaine. Optei por não atualizá-la, já que a minha 4.0 “Taranis” é Long Term Support (LTS). Não curto muito o frenesi atualizatório.
***
Depois de instalado o sistema, alguns ajustes. Se você não estiver sofrendo o sintoma indicado, não conserte. São eles:
- A rede sem fio sofre de instabilidade, especialmente durante uso pesado.
A conexão é perdida durante uso pesado e o network-manager reconecta depois. E se o uso continuar, ele desconecta de novo. Na prática, fica inutilizável.
Solução:
- baixe o script enable-aspm do kernel.org. Salve-o em algum lugar no $PATH do root, dê permissão de execução.
- Como root, comande “lspci -tv”:
repare onde houver:
+-1c.2- [0000:03]—-00.0 Atheros Communications Inc. AR5001 Wireless Network Adapter
O complexo root é 00:1c.2
- Agora comande “lspci”
03:00.0 Ethernet controller: Atheros Communications Inc. AR5001 Wireless Network Adapter (rev 01)
O seu alvo (endpoint) então é 03:00.0
- Agora edite o seu script enable-aspm e insira os valores encontrados nessas variáveis:
ROOT_COMPLEX=”00:1c.2″
ENDPOINT=”03:00.0″
ASPM_SETTING=2
- Agora execute o script. Você verá uma saída assim:
$ sudo enable-aspm
[sudo] password for vo-one:
Root complex:
00:1c.2 PCI bridge: Intel Corporation N10/ICH 7 Family PCI Express Port 3 (rev
02)
0×50 : 0×43 –> 0×42 … [SUCCESS]]
L1 only Endpoint:
03:00.0 Ethernet controller: Atheros Communications Inc. AR5001 Wireless Network
Adapter (rev 01)
0×70 : 0x4B –> 0x4A … [SUCCESS]]
L1 only
Tornando a modificação permanente: copie o script para /etc/network/if-pre-up.d.
crédito dessa dica https://bugs.launchpad.net/ubuntu/+source/linux/+bug/369005
- A bateria do AA1 é consumida muito rapidamente
O Trisquel usa o gnash (Gnu Shockwave player) para exibir conteúdo em flash. Só que o gnash usa muita cpu, o que consome bateria. Estando com o navegador aberto, veja se é isso que ocorre com você rodando o “top” no console. Se notar que o gnash (vai aparecer “gnash-gtk”) está no topo da lista e consumindo algo entre 10 a 30% de cpu ou até mais, pode ser uma boa idéia desativá-lo. Sim, o conteúdo flash não poderá mais ser exibido – no local do flash na página vai aparecer um quadrado cinza – mas, enfim, é preciso fazer escolhas.
Para desativá-lo, vá em Ferramentas > Complementos e desative a opção “Shockwave Flash”.
Você pode sempre voltar lá e reabilitar, se necessário. Agora, veja nessa página a história do Gnash, que é um projeto prioritário da Free Software Foundation para produção de um player de flash livre. Até antes da criação do Gnash, todo o conteúdo em flash na web – o que não é pouca coisa – precisava de software proprietário para ser executado. Não foi a toa que o Gnash foi incluído na lista de projetos de alta prioridade.