Mega-não ao AI5Digital!

Que tal uma lei que criminaliza suas atividades corriqueiras na Internet?

Digitalizar músicas vai ser crime
Digitalizar músicas vai ser crime

Campanha do Mega-não ao AI5Digital – apelido simpático que foi dado ao Projeto de Lei 84/99 do então Deputado Azeredo PSDB. O AI5 foi uma lei criada pela ditadura militar para acabar com o que restava das liberdades e garantias legais da sociedade brasileira, em 1968. Um período negro em nossa história.

Publicado em opinião, política | Comentários desativados

Mercadante no fisl12

Publicado em opinião, política, software livre | Comentários desativados

Sites invadidos e a contra-reforma

Difícil momento para a liberdade. A pancadaria come solta na Internet, e o hacktivismo que vemos hoje, protagonizado por lulz, anon e outros, será, sem sombra de dúvida, usado como motivo pelos homenzinhos (os de pequeno espírito) para promover a censura na Internet.
Vamos dar nomes aos bois: o pai da censura na Internet no Brasil chama-se Eduardo Azeredo, um político do PSDB. Mas ele não está sozinho. Diversos outros se somam.
Isso tudo me lembra do episódio do plano que a linha dura da ditadura militar tinha de explodir o gasômetro do Rio. Em horário de rush, em dia útil, a explosão iria matar pelo menos algumas centenas de pessoas. Depois seria atribuída aos movimentos de resistência ao governo militar, para motivar um endurecimento do combate a eles.

Sinistro, não?

O Capitão Sérgio “Macaco”, como era conhecido, foi o militar que se recusou a levar adiante o plano, e ameaçou botar a merda toda no ventilador, via imprensa. Credita-se a ele, hoje em dia, o fracasso dessa idéia monstruosa. O cara é um verdadeiro herói brasileiro.

http://oinvernauta.files.wordpress.com/2008/02/gorila.jpg

Mais atual do que nunca a Declaração de Independência do Ciberespaço. Você lê aqui mesmo neste intrépido blog uma versão em português. O original em inglês está linkado lá. A Internet tem problemas? Sim. Mas nenhum deles é tão grave quanto os crimes que acontecem no mundo real, cometidos muitas vezes pelos mesmos governos que agora censuram a Internet. Em outras ocasiões, apenas fazem vista grossa a crimes bárbaros. E na vida real.

A censura da Internet não se justifica, sob nenhum argumento. O que está por trás dela é somente o lobby da indústria do direito autoral.

Difícil momento para a liberdade.

Publicado em opinião, política | Com a tag , , , , | Comentários desativados

A Apple vem aí…


E quando ela chegar de vez aqui em terras brasilis, nós – do movimento do software livre – vamos sentir saudade dos tempos da Microsoft.

Explicação sucinta:

1 – Apple é um modelo ultra-proprietário. Microsoft é um modelo proprietário.

2 – Apple aposta em criar jardins murados. Microsoft não.

3 – Apple produz hardware e software fechados. Microsoft produz um sistema fechado para uma plataforma aberta.

Explicação comprida:

1 – Apple é um modelo ultra-proprietário. Microsoft é um modelo proprietário.

Nós do software livre dizemos que um software é livre quando respeita as quatro liberdades previstas na GPL: a de rodar o software, estudá-lo, modificá-lo e redistribuí-lo.
Não há dúvida de que ambas as companhias não respeitam essas liberdades. Mas a Apple, com a onda dos aparelhos móveis (iphone, ipad, ipod) inaugurou uma nova geração de privações de liberdades, e passa a fazer restrições adicionais, nem previstas nas quatro liberdades.
No mundo microsoft ninguém precisa pedir licença ao steve ballmer pra escrever um software pra windows. Negócios foram montados, internet afora, baseados em software pra windows. Você escreve o software, compila e roda, sem pedir nada à microsoft. Se quiser, você põe ele na internet, vende, licencia, etc, e a microsoft não vai te pedir um centavo.
Na Apple não. Seus aparelhos móveis são como zumbis, cavalos de tróia. Estão ali na sua mão, mas respondem ao steve jobs, remotamente, assim que encontram uma internet usável.
Um desenvolvedor que queira desenvolver pra Apple precisa submeter seu programa à Apple. E ela o aprova ou não, segundo seus próprios critérios, sem dever explicações a ninguém.

2 – Apple aposta em criar jardinzinhos murados. Microsoft não.

Todo o conteúdo que os dispositivos móveis da Apple acessam são pré-aprovados. A Apple tem controle do hardware, software e das mídias que rodam dentro. Vide o caso da confusão entre a Apple e a Adobe, quando a Apple se recusou a inserir o flash nos iphones. Sem flash, sem youtube. Bom, depois o youtube implementou o html5, mas é outra história.

Mais sobre jardins murados aqui.

3 – Apple produz software e hardware fechados. Microsoft produz um sistema fechado para uma plataforma aberta.

http://www.fsf.org/news/ibad_launch

A Microsoft, todos nós sabemos pelos livrinhos de história da informática, explodiu junto com a explosão do PC da IBM. E o PC é uma máquina aberta. Aberta no sentido de suas especificações de hardware. Todos os fabricantes que quisessem, poderiam fabricar componentes de hardware, e foi o que aconteceu. Uma infinidade de periféricos para PC apareceram, os preços caíram, houve competição, uma maravilha. Não foi à toa que o PC se estabeleceu e durou tantos anos como o imperador hegemônico da computação pessoal.

Por seu uma máquina de hardware aberto, o PC permitiu que se desenvolvessem sistemas operacionais alternativos ao windows. Dos quais, pelo menos um deles, o GNU/Linux alcançou um grau elevado de maturidade.

Isso é muito mais abertura do que qualquer arquitetura mantida pela Apple, que é toda fechada. A Apple fornece tudo. A  Apple controla tudo. Se quiser entrar no ambiente Apple, você joga pelas regras da Apple.

Conclusão

Pelo que escrevi acima pode parecer que eu odeio a Apple. Não é bem assim. Eu não uso produtos Apple por convicções pessoais, mas entendo que a empresa tenha lá seus modelos de negócio. E também não tenho nada contra a Apple entrar no Brasil via Foxconn. O que realmente me desagrada é a maneira como as coisas acontecem.

Ora, a Dilma foi eleita como continuidade ao Lula. O Lula tinha uma política de apoio ao software livre. Pode-se discutir o quanto avançou ou não, mas tinha. Agora, a Dilma toma posse, e nos quatro ou cinco primeiros meses de seu mandato, acontece um esforço diplomático oficial, em viagem à China, que culmina em trazer a Foxconn para o Brasil, para produzir produtos Apple.

A Foxconn é uma empresa que tem um registro de relações com seus empregados onde o suicídio é a alternativa que eles encontram para terminar seu sofrimento. Não é exagero. Aqui estão os links:

Inside Foxconn’s suicide factory (The Telegraph)

Apple Responds, Confirms Foxconn Employee Suicide (Gizmodo)

Foxconn Worker in China Committed Suicide, HKCNA Reports (Bloomberg)

Another Worker Suicide at Apple Partner Foxconn (PC Mag.com)

Apple Manufacturer Foxconn Makes Employees Sign ‘No Suicide’ Pact (Huffington Post)

No governo Lula havia uma preocupação em obter transferência de tecnologia, nas compras governamentais. Vide a polêmica da compra dos jatos da Força Aérea. O que estava em jogo ali era qual das propostas iria trazer a melhor situação de transferência de tecnologia.

O significado disso é que, planejamos, no futuro, produzir jatos nós mesmos, ora. E isso não vai acontecer se comprarmos produtos prontos, fechados, com amarras tecnológicas e legais que nos impeçam de usar estas compras para aprender e desenvolver tecnologia própria.

Com software não é diferente.

Então a Foxconn vai inaugurar a política de incentivo aos tablets, ainda por cima com incentivo fiscal. Estamos renunciando a impostos para trazer ao Brasil uma empresa de tecnologia ultra-proprietária, cuja vinda não irá adicionar em nada o parque tecnológico brasileiro.

E por fim, concluindo esse post que era pra ser pequeno, mas ficou grande, se o apagão educacional pelo qual passamos é realmente o problema que se diz ser, temos que dar uma atenção redobrada a este problema.

Na tecnologia e no desenvolvimento de software, para se produzir código é necessário ter acesso a código. As coisas andam de mãos dadas. O modelo de software ultra-proprietário da Apple só vai nos perpetuar na condição de consumidores passivos de tecnologia alheia.

Nunca conseguiremos produzir software, qualificar jovens talentos em programação e entrar definitivamente para a sociedade do conhecimento sem termos um ambiente propício para isso. E o software ultra-proprietário é um péssimo caminho. Na verdade, é o pior de todos.

Publicado em opinião, política, software livre | Com a tag , , , , , | 5 comentários

Michael Kassab Jackson – Thriller

Momento zumbi – A ampla base social que sustenta o PSD vem dos subterrâneos da sociedade. É um movimento de raízes. E vai ganhando força. Principalmente nas noites de lua cheia.

Michael Kassab Jackson e seus correligionários

Michael Kassab Jackson e seus correligionários

Tirado de Lista de assinaturas para criar PSD tem nomes de mortos em SC:

“A lista de assinaturas de apoio à criação do novo partido do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o PSD, conta com o nome de pelo menos cinco eleitores mortos em Santa Catarina. A fraude foi identificada pelo cartório da 49ª Zona Eleitoral do Estado, que teve de verificar, a pedido da Justiça, a autenticidade de 230 assinaturas colhidas em três municípios do Estado. As informações são do jornal Folha de S.Paulo….” (use o link para matéria completa)

Publicado em política | Com a tag , , , , | Comentários desativados

#2blogprog Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas – minhas impressões

Que fique claro: sou um recém chegado na blogagem, e só tou palpitando aqui porque, afinal, blog é pra isso, e palpite é que nem time de futebol (pra melhorar o nível da comparação), cada um tem o seu.

Feita a ressalva, afirmo que minha primeira participação num encontro de blogueiros foi massa! A blogosfera progressista é um movimento social e cibernético vibrante. Veio nego do Brasil – quase – inteiro. Todo mundo querendo influir, participar, vender camisetas, networkar (ugh!), tuitar e discutir.

Figurões e estrelas da blogagem alternativa se misturavam com os nanicos e iniciantes, alguns trols que sempre aparecem, povo do software livre, sindicatos, estudantes, políticos e até mesmo representantes internacionais se fizeram presentes. A participação dos representantes do Presidente Peruano recém eleito Ollanta Humala foi uma das mais cativantes. O embaixador Cubano também foi muito aplaudido. O ambiente era amigável ao ponto de algumas pessoas que se autodenominaram “semi-analfabetos digitais” não se intimidarem em opinar e perguntar aos mais seniors. Muito bacana mesmo.

No entanto, vou destacar algumas coisas que me chamaram a atenção:

- baixa presença do público mais jovem.
pode ter acontecido devido ao alto custo em se deslocar até Brasília. Ainda   assim a faixa etária média alta chamou a atenção, e não foi só a mim. Levando em consideração a ascenção dos blogs sujos durante a campanha eleitoral, creio que o que acontece é que muita gente, que vem da militância política de outros carnavais (mov. sindical, partidário, sem-terra…), encontrou na blogagem o veículo possível e o mais prático para influir e formar opinião. Ou seja, é o mesmo pessoal de antes, agora na versão online. Diferente dos movimentos jovens que tomam as ruas da Espanha e demais países. Essa juventude é mais refratária à organizações semi-hierárquicas como a do BlogProg.

- Um paradoxo (ou conflito?) entre a atuação online e a presencial
Em diversos momentos foi apontada a carência de diversas regiões do Brasil e a dificuldade em enviar representantes. Foi proposto que a organização do evento fortalecesse/ajudasse os menos estruturados, para que pudessem enviar blogueiros. Ora, se a atividade principal do movimento é online, se todos estão em redes sociais, porque não se organizar via Internet? Qualquer organização de trabalho presencial – como a plenária final – será muito mais desastante, trabalhosa e difícil de se participar se temos que viajar Brasil afora.

Então o paradoxo é mais ou menos esse: é um movimento de ativistas online, horizontal, descentralizado e “frouxamente” conectado pelas ferramentas online. E tudo isso é bom, é flexível, adapta-se rapidamente. Mas quando nos encontramos presencialmente, parece que as velhas práticas de organização voltam à vida. E nos vemos nos organizando em comissões, votando destaques, quebrando o pau, tratorando. Será que realmente não existem alternativas?
Será que não conseguimos pensar em um “Encontro Nacional Online de Blogueiros Progressistas”? Sei lá… no IRC? Em uma twitcam? Afinal, se conseguimos “desmascarar os factóides da imprensa golpista durante o 2o turno das eleições” usando a Internet, também devemos conseguir usar a mesma Internet pra nos encontrar? Não seria a maneira mais inclusiva possível, que prescinde de aviões, hotéis, táxis e outras (in)conveniências do mundo material? Nada contra nos encontrarmos, como disse, eu achei bacana. Só acho que deveríamos fazer pela Internet tudo que fosse possível fazer pela Internet. Encontros presenciais deveriam ser mais acessórios.

Só relembrando, esse é o palpite de um recém chegado. Foi muito bom conhecer pessoalmente muitas pessoas que só conhecia via avatar. Porém, nesse 2o Blogprog aconteceu de eu estar morando aqui em Brasília. No ano que vem, na Bahia, não sei se poderei participar. Como é o caso da maioria de nós, gostaria de poder acompanhar ao máximo tudo pela Internet.

Publicado em opinião | 1 comentário

Trisquel GNU/Linux no Acer Aspire One

Arrá! Software livre! Bom demais…. O Trisquel GNU/Linux é uma distribuição espanhola, endossada pela Fundação do Software Livre e distribuída aos seus  associados como um cartão USB bootável.
Após receber o meu simpático cartãozinho, instalei no meu netbook Acer aspire one. A instalação foi bem tranquila e relativamente rápida, considerando o gargalo de velocidade na gravação de dados na memória flash da maquininha.
Após instalado, o Trisquel dá um sistema rápido, bonito, atual, e – mais importante de tudo – livre!
Coloco aqui neste post o que eu fiz pra instalar o sistema a partir do cartão USB distribuído pela FSF. Depois uns macetes pra deixar a máquina redonda.

O Trisquel é baseado no Ubuntu. Foram removidos os pacotes não-livres, e o kernel é o linux-libre. Portanto quem tiver familiaridade com Debian/Ubuntu, vai se sentir em casa no Trisquel.

Mãos à obra:

OBS – Cuidado com os seus dados. Este tutorial assume que ou você a: já fez cópia extra de tudo que era importante na máquina; b: não tem sistema nem dado nenhum na máquina; c: não se importa. Vamos instalar sistema no computador, e isso obviamente vai apagar arquivos e/ou sistemas de arquivos. Não me culpe se você apagar o arquivo “tese.odt”, ou “financas.ods”, ou sei lá… o “senhas.txt”. Aliás, esse último nem deveria existir :p.

1 – Insira o cartão na USB da máquina e reinicie. Durante a tela do post, pressione F12 para alterar a ordem de boot, caso contrário ele boota o sistema padrão, se houver.

2 – Um menu será carregado. Escolha a opção “Instalar o Trisquel neste computador”.

3 – Escolha a linguagem. Padrão é inglês, mas o português do Brasil está disponível.

A instalação corre sem nenhuma surpresa, no hardware do A1. Você pode optar pelas opções que oferecem mais automatismos, se não quiser se deter muito, e não terá problemas. Quando chega a opção do particionamento de disco, eu costumo fazer tudo manual. No caso do meu AA1, quando comprei eu ganhei também um upgrade de memória na máquina. Ele vem de fábrica com 512MB. Na loja eu vi o técnico abrir a barriga dele e colocar mais um módulo de 1GB, ficando com 1,5GB. Dica: a menos que você saiba o que tá fazendo, não tente isso de maneira “exploratória”. É necessário desmontar bastante a máquina, porque o slot vago fica bem escondido. Ele NÃO é aquela porta na parte de baixo do chassi, protegida apenas por um parafuso tetra. É necessário desmontar teclado. Consiga um esquema e um tutorial antes de sair fazendo isso (ou melhor ainda, leve a máquina pra um profissional que faça).

Por isso, com 1,5GB, eu prefiro NÃO ter um swap na máquina. Ela só tem 8GB na memória flash de sistema, e um swap tomaria um precioso recurso. Além disso, a experiência tem mostrado que o maior gargalo do AA1 é a entrada e saída na memória flash. Então não quero ficar gravando coisas em swap e perder mais desempenho. Além disso, o free sempre mostra memória sobrando. Se você acha bizarro não ter swap, veja essa dica sobre isso.

Sobre particionamento, espaço em disco e desempenho no AA1, existe ainda uma outra técnica que pode ser usada: no slot marcado como “Storage expansion”, ao lado do teclado, na esquerda, pode-se inserir um cartão SD para ficar permanentemente lá, como memória da máquina. Durante a instalação de sistema – e isso vale não só para o Trisquel – você pode atribuir a este cartão alguma partição de sistema, que seja muito usada. Desta forma, a carga de trabalho fica dividida entre a memória embutida e a expansão de armazenamento.

No sistema original do AA1, o Linpus Linux (?) quando detecta que um cartão foi inserido, adiciona o novo espaço disponível ao espaço de armazenamento do usuário. Isso é interessante, mas não adianta como reforço de desempenho. Para melhorar o desempenho da máquina, se você optar por ter um cartão permanente no slot, sugiro colocar lá o /usr/bin e o /home. O /usr/bin é muito frequentemente acessado, e ter o /home em um cartão removível te permite simplesmente remover o cartão enquanto a máquina está desligada e montá-lo em outra máquina para fazer cópias de segurança. Fica muito prático.

Porém, lembre-se que, ao inserir o cartão em outra máquina, ele NÃO irá ser montado da maneira tradicional – pelo menos no kde4 – por conta dos sistemas de arquivos. Para isso ele teria que ser formatado com fat, o que não vai acontecer, já que será usado como armazenamento nativo do Trisquel do AA1, ou seja, você tem que escolher entre ext4, XFS, JFS, etc. Com estes sistemas de arquivo, você deverá acessá-lo como root, ao montá-lo em outra máquina, ou ter acesso somente leitura. Estou deixando isso registrado aqui, por completismo. Nada disso deve ser problema se você só fizer isso para copiar arquivos.

Na etapa de particionamento, se você quiser realmente criar um particionamento personalizado, o caminho é escolher o particionamento manual. Passada essa etapa, o instalador começa a copiar arquivos. De novo, isso é lento, é o gargalo de ter um sistema baseado em flash. Mas não se preocupe: sistema só se instala uma vez. Depois no dia a dia a máquina fica bem rapidinha.

Concluída a instalação, reinicie, remova o cartão da FSF para bootar na nova instalação. O Trisquel oferece o desktop do GNOME 2.30.2, com kernel linux-libre 2.6.32-25. O OpenOffice.org é o 3.2.0, da Oracle e o GIMP é o 2.6.8. Meu cartão chegou em fevereiro, e desde então já existe uma versão nova do Trisquel, a 4.5 Slaine. Optei por não atualizá-la, já que a minha 4.0 “Taranis” é Long Term Support (LTS). Não curto muito o frenesi atualizatório.

***

Depois de instalado o sistema, alguns ajustes. Se você não estiver sofrendo o sintoma indicado, não conserte. São eles:

- A rede sem fio sofre de instabilidade, especialmente durante uso pesado.
A conexão é perdida durante uso pesado e o network-manager reconecta depois. E se o uso continuar, ele desconecta de novo. Na prática, fica inutilizável.

Solução:

- baixe o script enable-aspm do kernel.org. Salve-o em algum lugar no $PATH do root, dê permissão de execução.
- Como root, comande “lspci -tv”:

repare onde houver:

+-1c.2- [0000:03]—-00.0 Atheros Communications Inc. AR5001 Wireless Network Adapter

O complexo root é 00:1c.2

- Agora comande “lspci”

03:00.0 Ethernet controller: Atheros Communications Inc. AR5001 Wireless Network Adapter (rev 01)

O seu alvo (endpoint) então é 03:00.0

- Agora edite o seu script enable-aspm e insira os valores encontrados nessas variáveis:

ROOT_COMPLEX=”00:1c.2″
ENDPOINT=”03:00.0″
ASPM_SETTING=2

- Agora execute o script. Você verá uma saída assim:

$ sudo enable-aspm
[sudo] password for vo-one:
Root complex:
00:1c.2 PCI bridge: Intel Corporation N10/ICH 7 Family PCI Express Port 3 (rev
02)
0×50 : 0×43 –> 0×42 … [SUCCESS]]
L1 only Endpoint:
03:00.0 Ethernet controller: Atheros Communications Inc. AR5001 Wireless Network
Adapter (rev 01)
0×70 : 0x4B –> 0x4A … [SUCCESS]]
L1 only

Tornando a modificação permanente: copie o script para /etc/network/if-pre-up.d.

crédito dessa dica https://bugs.launchpad.net/ubuntu/+source/linux/+bug/369005

- A bateria do AA1 é consumida muito rapidamente

O Trisquel usa o gnash (Gnu Shockwave player) para exibir conteúdo em flash. Só que o gnash usa muita cpu, o que consome bateria. Estando com o navegador aberto, veja se é isso que ocorre com você rodando o “top” no console. Se notar que o gnash (vai aparecer “gnash-gtk”) está no topo da lista e consumindo algo entre 10 a 30% de cpu ou até mais, pode ser uma boa idéia desativá-lo. Sim, o conteúdo flash não poderá mais ser exibido – no local do flash na página vai aparecer um quadrado cinza – mas, enfim, é preciso fazer escolhas.
Para desativá-lo, vá em Ferramentas > Complementos e desative a opção “Shockwave Flash”.
Você pode sempre voltar lá e reabilitar, se necessário. Agora, veja nessa página a história do Gnash, que é um projeto prioritário da Free Software Foundation para produção de um player de flash livre. Até antes da criação do Gnash, todo o conteúdo em flash na web – o que não é pouca coisa – precisava de software proprietário para ser executado. Não foi a toa que o Gnash foi incluído na lista de projetos de alta prioridade.

Publicado em software livre | Comentários desativados

A Declaração de Independência do Ciberespaço

Como resposta à aprovação de uma lei de telecomunicações pelo governo  americano, John Perry Barlow escreveu a Declaração de Independência do Cyberespaço. O documento é uma defesa veemente da separação entre a Internet e qualquer governo nacional. Declara que governo nenhum tem legitimidade para legislar o cyberespaço, que este não é nacional e não é material. A Internet possui suas próprias regras de convívio, baseadas, principalmente, na regra de ouro – e a comunidade online não admite interferências em sua liberdade de pensar, falar e se organizar.
Barlow estava preocupado com a tal lei de telecomunicações, pois via nela uma ameaça à liberdade na Internet.
Não sei se ele tinha isso em mente quando escreveu o documento, mas a “Declaração…” permanece cada vez mais atual. Veja esse website em reação à ameaça do G8 sobre a Internet.

Sobre o Barlow, veja isso. Sobre a Declaração, veja isso.
Minha tradução livre abaixo é baseada nessa aqui.

A Declaração de Independência do Ciberespaço

Governos do mundo industrial, gigantes cansados de carne e aço, eu venho do Ciberespaço, a nova morada da Mente. Em nome do futuro, eu exijo que vocês do passado nos deixem em paz. Vocês não são bemvindos entre nós. Onde nós nos reunimos vocês não têm soberania.

Nós não temos governo eleito, nem provavelmente teremos,  portanto eu me dirijo a vocês sem maior autoridade do que aquela com a qual a própria liberdade sempre fala. Eu declaro o espaço global e social que estamos construindo como naturalmente independente das tiranias que vocês buscam impor a nós. Vocês não têm direito moral de nos governar e não têm nenhum método de vigilância que nós devamos verdadeiramente temer.

Governos obtêm seu justo poder do consentimento dos governados. Vocês nem solicitaram nem receberam o nosso. Nós não os convidamos. Vocês não nos conhecem, e nem conhecem nosso mundo. O Ciberespaço não está contido em suas fronteiras. Não pensem que poderão construi-las, como se fosse um projeto público de construção. Não podem. É um ato da natureza, que cresce por si, através de nossas ações coletivas.

Vocês não se envolveram em nossa grande e abrangente conversa, nem foram vocês que criaram a riqueza de nosso mercado. Vocês não conhecem nossa cultura, nossa ética, ou os códigos implícitos que já nos trazem mais ordem do que a que poderia ser obtida com qualquer de suas imposições.

Vocês argumentam que existem problemas entre nós, que vocês devem resolver. Vocês usam este argumento para invadir nosso espaço. Muitos destes problemas não existem. Onde existem problemas reais, onde existem malfeitos, nós os iremos identificar e resolvê-los de nossa maneira. Estamos criando nosso próprio Contrato Social. Essa governança irá chegar, de acordo com as condições do nosso mundo, não do seu. O nosso mundo é diferente.

O Ciberespaço consiste em transações, relacionamentos,  e o próprio pensamento, ligados como ondas na teia de nossas comunicações. Nosso mundo está em todo lugar, e em nenhum lugar, mas não está onde corpos vivem.

Estamos criando um mundo onde qualquer um possa entrar, sem privilégios ou preconceitos, de raça, poder econômico, força militar ou condição de berço.

Estamos criando um mundo onde qualquer um em qualquer lugar possa expressar suas crenças, não importando o quão singulares,  sem temer ser coagido ao silêncio ou ao conformismo.

Seus conceitos legais de propriedade, expressão, identidade, movimento e contexto não se aplicam a nós. Eles são baseados em matéria e não há matéria aqui.

Nossas identidades não possuem corpos, portanto, ao contrário de vocês,  nós não podemos obter ordem a partir de coerção  física. Acreditamos que através da ética, auto-interesse esclarecido e do bem comum, nossa governança emergirá. Nossas identidades podem estar distribuídas através de muitas das suas jurisdições. A única lei que todas nossas culturas constituintes reconhecem é a Lei de Ouro. Esperamos poder construir nossas próprias soluções a partir dela. Mas não podemos aceitar as soluções que vocês tentam nos impor.

Nos Estados Unidos,  hoje vocês criaram uma lei a Telecommunications Reform Act, que repudia a própria Constituição e insulta os sonhos de Jefferson, Washington, Mill, Madison, DeToqueville e Brandeis. Estes sonhos nascerão de novo agora conosco.

Vocês estão aterrorizados com seus filhos, porque eles são nativos de um mundo onde vocês serão sempre imigrantes. Como vocês os temem, vocês confiam à sua burocracia as responsabilidades parentais que vocês covardemente são incapazes de enfrentar. No nosso mundo, todos os sentimentos e expressões de humanidade, das aviltantes às angelicais, são parte de um todo íntegro, a conversa global de bits. Não podemos separar o ar que engasga do ar no qual as asas batem.

Na China, Alemanha, França, Rússia, Singapura, Itália e Estados Unidos, vocês tentam repelir o vírus da liberdade construindo postos de guarda nas fronteiras do Ciberespaço. Eles podem manter distante o contágio por algum tempo, mas não vão funcionar em um mundo que logo será inundado por mídias baseadas em bits.

Suas cada vez mais obsoletas indústrias da informação buscam perpetuar-se propondo leis, nos Estados Unidos e além, que clamam possuir o discurso, em si próprio. Estas leis declaram que idéias são mais um produto industrial, tanto quanto ferro gusa. Em nosso mundo, o que quer que a mente humana crie pode ser reproduzido e distribuído infinitamente sem nenhum custo. A proliferação global do pensamento não mais requer suas fábricas para acontecer.

Estas medidas crescentemente colonais e hostis nos colocam na mesma posição dos antigos adeptos da liberdade e auto-determinação que tinham que rejeitar a autoridade de potências distantes e desinformadas. Nós devemos declarar nossas identidades virtuais imunes à sua soberania, mesmo que continuemos a consentir com sua autoridade sobre nossos corpos físicos. Iremos nos espalhar pelo Planeta, de forma que ninguém consiga prender nossos pensamentos.

Criaremos uma civilização da mente, no Ciberespaço. Que seja mais humana e justa do que aquela que os seus governos criaram antes.

Davos, Suíça
8 de fevereiro 1996

John Perry Barlow
Co-fundador, Electronic Frontier Foundation

Publicado em política | 3 comentários

Fim do Consegi 2011

Na sexta passada terminou mais um Consegi – Congresso Internacional Software Livre e Governo Eletrônico.

A edição deste ano, se não me engano a quarta, trouxe a Brasília mais uma turma de pessoas de outros países para falar de suas experiências de governo eletrônico e de implementação de software livre. O tema deste ano foi “Dados Abertos”. O Consegi não é internacional só no nome não. Realmente, tem gringo de todo canto. Este ano ouvi gente da Espanha, São Tomé e Príncipe, Canadá e Reino Unido. Em anos anteriores assisti palestras até de sul-coreanos.

Internet afora vai pintar textos e mais textos sobre o evento – inclusive no próprio website do evento, então não vou fazer aqui uma cobertura, nem tenho como fazer isso. Só queria chamar atenção para uns padrões que venho percebendo dentro da comunidade do software livre. Não necessariamente têm a ver com o Consegi, em especial. Você percebe essas coisas no fisl, também. São elas:

1 – Quanta gente usando Mac!

Aí tem aquela “explicação” técnica, que Mac é unix, que o kernel é o darwin, que é livre, não sei o que mais. Há quem diga também que no Mac “tudo funciona”, que é uma beleza. E que o Mac é primo do Linux, então “você vai sentir uma grande semelhança…” E tem também o povo que diz que você pode rodar programas livres em cima. Ah, verdade.

Pra mim a questão é endossar o modelo de negócio da Apple. Esse modelo tem sido cada vez mais fechado. No mundo dos dispositivos móveis da Apple o que domina é um modelo que considero “ultra-proprietário”: além do controle tradicional, via distribuição somente dos binários, a fabricante também define o que roda e o que não roda na plataforma, um grau de controle nunca cogitado  nem pela Microsoft, que costuma ser o principal alvo da crítica do movimento software livre. Em termos de restrição à liberdade dos usuários a Apple dá um passo além. A Apple autoriza e desautoriza quaisquer softwares que ela queira que rodem no iOS, sem dar satisfação a ninguém (isso está previsto em contrato). Para isso usa travas legais e tecnológicas, como o DRM. Então ver gente dentro da comunidade do software livre endossando esse modelo de negócio me entristece (pra dizer o mínimo).

2 – Tem gente que se interessa pelo lado técnico da TI e gente que quer saber do ativismo/lado político do movimento. Os dois lados não se bicam.

O povo técnico fala daqueles sociólogos, daqueles hippies de cabelo comprido que vêm falar de liberdade, compartilhamento, de espírito de boa vontade, etc. Nada a ver. Os caras do ativismo acham que o povo do lado técnico é um bando de nerds que só sabe escovar bits, não vê o quadro amplo.

Quem tá certo?

Não haveria software livre – pode colocar o seu preferido aqui, Linux, GNU, BSD, nenhum deles – hoje em dia se nao tivesse havido uma grande dose de ideologia e idealismo no passado. Mas claro, a ideologia e o idealismo precisam se traduzir em código. Sem código, o computador não passa de um peso de papel. Esse racha dentro do movimento do software livre favorece intolerâncias e sectarismos. No final do fisl do ano passado, diversos posts – até mesmo no noosfero do próprio fisl – criticavam o evento, talvez por falta de palestras técnicas e diziam que o Latinoware era muito melhor. Isso é intolerância. Precisamos de gente que enxerga para onde ir, e de gente que sabe abrir caminho até chegar lá. É a diferença entre o arquiteto e o engenheiro. O arquiteto diz o que construir. O engenheiro vai e constrói. Nós precisamos dos dois.

Além disso, política e tecnologia se cruzam, concretamente.

Por exemplo, sabemos que muitos dos problemas de interoperabilidade que encontramos por aí são artificialmente criados, como ferramentas de produção de monopólios, ou para trancar usuários dentro de certas soluções. Empresas que debilitam seus produtos para evitar que interoperem seja com produtos de outras empresas, seja com versões anteriores de seus próprios produtos, forçando upgrades desnecessários. Você encontra gente do lado técnico do software livre capaz de dar uma palestra de duas horas sem nem mencionar nada disso. Falam dos formatos de arquivos para interoperabilidade, como implementar, etc…

Ora, se é possível tecnicamente, porque existe tanta demanda por interoperabilidade ainda? Falta de interoperabilidade como um problema técnico, é trivial de ser resolvida, é questão de tempo e força de trabalho. A falta de interoperabilidade política é a que foi colocada lá para defender interesses. Essa é que é um problema realmente difícil.

O tempo atual, de tabletes e de espertofones, é de grande avanço não só do software proprietário mas também deste modelo ultra-proprietário, de criação de jardins murados, onde tudo são flores. Mais do que nunca as pessoas têm trocado liberdade por conveniência.

Com todas as ameaças que rondam o movimento do software livre, ajudaria se estivéssemos um pouco mais unidos.

Publicado em Sem categoria | Comentários desativados

#RioBlogProg acontecendo agora

Direto da cabeça do Getúlio (na Glória, zona sul do Rio), acontece o #RioBlogProg. Veja abaixo:



Video streaming by Ustream

Publicado em Sem categoria | Deixar um comentário